UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO (UERJ)
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
Disciplina: EDUCAÇÃO E PÓS-MODERNIDADE
Professor: MARCO SILVA

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marcoparangole@uol.com.br

PROGRAMA
Ementa:
Objetivos:
Estratégias didáticas: 
Bibliografia:


Ementa:

A sociedade e a educação em recentes transformações da cultura, das instituições e dos valores sociais.

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Objetivos:


• Aplicar as noções “modernidade” e “pós-modernidade” como chaves de leitura das transformações socioculturais contemporâneas.

• Explorar aspectos da teoria social contemporânea que contribuam para a análise das recentes modificações no social, no mercado, nas tecnologias e nas mídias.

• Desenvolver a sensibilidade e a mobilização para a construção de novos agenciamentos teóricos e práticos no tratamento da sociedade, da cultura, das instituições sociais e particularmente da educação.


Unidade 1.
Linhas básicas de distinção:
A pós-modernidade só pode ser apreendida num cotejamento com a modernidade.


Modernidade: período histórico marcado por linhas de pensamento e modos de expressão centrados nas noções iluministas de verdade, razão, identidade e objetividade, na idéia de progresso ou emancipação universal, nos sistemas únicos, nas grandes narrativas ou nos fundamentos definitivos de explicação da natureza e da cultura.

• A produção de produtos em massa rígidos e em série.

• O mercado de massa e os estilos de vida relativamente padronizados dentro de cada classe.

• A vertente marxista centrada em conceitos como modo de produção, mercadoria, capital, luta de classes, conflito capital-trabalho.

• A vertente positivista centrada no cientificismo e na idéia de ordem e progresso.

• A dominação racional com base em um quadro administrativo burocrático.

• A mídia de massa buscando o consumidor de bens de consumo padronizados e ditando regras, estilos e gostos.

• A vida social e coletiva pensada a partir da idéia de um amanhã: o projetivo, o dever-ser.

• A história como algo linear que seque adiante carregando consigo a adoção do novo como pedra angular da produção humana.

• A educação como conformação ao status quo ou como emancipação da ignorância e construção da cidadania.

• Capitalismo fordista: não apenas linha de montagem, mas “lei seca” e puritanismo como regulação da vida social e familiar do trabalhador e não apenas a vida do trabalho.

Pós-modernidade: período histórico marcado por linhas de pensamento e modos de expressão que questionam e contrariam o modelo iluminista vendo o mundo como contingente, gratuito, diverso, instável, imprevisível, um conjunto de culturas e interpretações desunificadas gerando um certo grau de ceticismo em relação à objetividade da verdade, da história e das normas.

• Presenteísmo em oposição ao futurismo: viver o presente, viver intensamente o momento aqui e agora.

• A aceitação do descontínuo como próprio da condição humana.

• O mundo como totalidade heterogênea e fragmentada marcado por singularidades e não passível de homogeneidade.

• Informatização: o conhecimento traduzido em bits e exteriorizado em relação a seu depositário.

• A substituição da identidade permanente ou estável pela deriva ao sabor das identificações sucessivas e provisórias.

• Ceticismo diante das narrativas interpretativas totalizantes: a religião e as doutrinas laicas como marxismo e positivismo.

• A relativização dos marcos referenciais como cultura erudita e conhecimento científico em favor da cultura popular e do conhecimento comum.

• Desbastamento da figura da instituição (a coisa estável) em todas as suas versões – o Estado, a família, a escola, a universidade, o partido.

• O ensino e sua legitimação pelo desempenho.

• A transformação da cultura em economia e da economia em cultura.
• Capitalismo “pós-fordista”, “flexível”: produtos de acordo com segmentos do mercado. Neoliberalismo, “sociedade de informação” e “sociedade em rede”.


Unidade 2.
Perspectivas para a educação (sugestões)


1. A comunicação em sala de aula presencial e à distância: modificar o modelo de comunicação baseado no falar-ditar do mestre, na lição-padrão que uniformiza e na distribuição de informação em massa, buscando a perspectiva da interatividade, das diferenças, da construção coletiva do conhecimento;

2. A informática: aproveitar as vantagens da informática em rede (computador ligado à internet) e cuidar do redimensionamento da aprendizagem e da reestruturação de seus currículos, da administração e dos métodos pedagógicos;

3. A mídia: explorar os meios de comunicação como potenciação da aprendizagem e como questionamento dos seus efeitos sobre a sociedade e a cultura ou como exercício de “leitura” crítica do audiovisual;

4. Os pais: atrair os pais para o processo educacional, não em visitas ocasionais à escola, mas como co-criadores da formação das novas gerações;

5.
A comunidade: aproveitar o conhecimento distribuído no interior das comunidades de modo que voluntários e convidados (médicos, comerciantes, garis, músicos, engenheiros, encanadores, mecânicos, etc.) sejam considerados colaboradores na educação da novas gerações – trata-se de deslocar os estudantes da aprendizagem centrada na sala de aula e levá-los a lugares onde se trabalha, para o mundo dos adultos;

6. A autoria do professor: educar o “novo” espectador, o “homem aleatório” garantindo na sala de aula o exercício da democracia, da interatividade, da tolerância como processo de construção da aprendizagem e da cidadania.

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Estratégias didáticas: 

• Aulas interativas onde o conhecimento se constrói na participação e na cooperação.

• Uso de tecnologias audiovisuais e valorização das “inteligências múltiplas”, da “inteligência coletiva”.

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Bibliografia:

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